O levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente à semana de 20 a 26 de setembro de 2026, mostra melhora na competitividade do etanol hidratado no Maranhão e no Pará. Nos dois estados, a relação entre o preço do etanol e da gasolina recuou na comparação com a semana anterior, indicando um cenário mais favorável ao biocombustível.
No Maranhão, o preço médio do etanol ficou em R$ 4,96 por litro, enquanto a gasolina comum alcançou R$ 6,63 por litro. Com isso, a paridade etanol/gasolina caiu de 75,6% para 74,8%, redução de 0,8 ponto percentual. O movimento foi favorecido pela queda de 0,6% no preço do etanol, combinada com alta de 0,5% na gasolina.
No Pará, a melhora foi ainda mais acentuada. O etanol apresentou preço médio de R$ 4,60 por litro, frente a R$ 6,72 por litro da gasolina, levando a paridade para 68,5%, ante 69,6% na semana anterior. A redução de 1,1 ponto percentual colocou o estado abaixo da referência de 70%, reforçando a competitividade relativa do etanol no período.
Na média nacional, entretanto, ocorreu movimento oposto. A paridade subiu levemente, de 62,4% para 62,6%, com o etanol passando de R$ 4,08 para R$ 4,10 por litro e a gasolina de R$ 6,54 para R$ 6,55. Mesmo com essa alta marginal, a relação de preços no Brasil permanece mais favorável ao etanol do que a observada no Maranhão e no Pará.
Maranhão e Pará no ranking nacional
No ranking nacional de paridade, o Pará ocupa a 11ª posição, enquanto o Maranhão está na 24ª posição. Quando considerados apenas os preços médios do etanol, o Pará aparece em 12º lugar, com R$ 4,60 por litro, e o Maranhão em 18º, com R$ 4,96. Já na gasolina comum, o Maranhão ocupa a 11ª posição entre os menores preços do país, enquanto o Pará aparece em 16º.
Esse cenário ajuda a explicar a diferença de competitividade entre os dois estados. No Maranhão, a gasolina relativamente mais barata no contexto nacional reduz a vantagem do etanol, enquanto no Pará o preço do biocombustível apresenta melhor posicionamento relativo.
Diferenças entre os municípios
A análise municipal também mostra variações importantes dentro dos estados. No Maranhão, as menores paridades foram registradas em São José de Ribamar e Balsas, ambas com 73,9%, seguidas de Açailândia, com 74,0%. No extremo oposto, Barra do Corda registrou 81,9%.
No Pará, os melhores resultados foram observados em Belém, com 66,1%, Bragança, com 68,0%, e Ananindeua, com 68,1%. Conceição do Araguaia apresentou a maior paridade da amostra, com 80,1%.
O levantamento também identificou preços significativamente inferiores às médias estaduais em postos específicos. No Maranhão, o menor valor encontrado para o etanol foi de R$ 4,38 por litro, em São José de Ribamar. No Pará, três postos de Belém registraram etanol a R$ 3,95 por litro.
Consumo per capita ainda é desafio
Além dos preços, dados da Síntese Mensal de Comercialização de Combustíveis da ANP ajudam a dimensionar o desafio de ampliação do mercado consumidor.
Em julho de 2026, o volume comercializado de etanol hidratado foi de aproximadamente 1,6 litro por habitante no Maranhão e 2,1 litros por habitante no Pará, níveis ainda baixos no comparativo nacional.
O dado ganha relevância diante do avanço observado no mercado brasileiro. A participação do etanol hidratado nas vendas totais do Ciclo Otto atingiu 32,4% em julho de 2026, acima dos 30,4% registrados em julho de 2025. No mesmo mês, as vendas nacionais de etanol hidratado cresceram 12,33% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números reforçam que Maranhão e Pará possuem espaço relevante para ampliar o consumo de etanol hidratado. A evolução recente dos preços mostra melhora na competitividade, especialmente no Pará, mas o baixo consumo per capita evidencia a necessidade de avançar em ações de mercado, disponibilidade do produto, informação ao consumidor e condições que ampliem a competitividade do biocombustível nos dois estados.

ANÁLISE PREÇOS ETANOL E GASOLINA 20.09 a 26.09.26
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

